sexta-feira, 27 de junho de 2014

Dia 12 de junho .


Mais uma vez o dia o dia não foi como planejado. Mais uma vez deixei tudo que tinha pra fazer para trás. È incrível a capacidade que tenho de esquecer. (Isso não deve ser normal). Cheguei como de costume, tirando o capacete da moto e colocando ao murinho da varanda. Sapatos jogados no canto. Era o ultimo dia de trabalho, o primeiro de um mês longo de férias. (Como eu queria essas férias).
Além de tudo era um dia especial, dia 12 de junho. Nem precisa dizer mais nada. Como uma típica apaixonada já havia premeditado tudo para essa noite. E estava na hora de colocar em prática.  Entrei como de costume ao banho, não tem nada melhor que depois de um dia longo de serviço chegar, tirar a roupa e entrar debaixo daquela agua quente. Sempre que tomo banho lembro-me de uma frase de Rubens Alves, sobre os pequenos momentos de felicidades, de fato, um banho quente depois de um dia de merda, é muita felicidade. Sai do banho, e como de costume coloquei minhas roupas preferidas para cozinhar. Calcinha e sutiã preto, nada me deixavam mais a vontade em casa do que andar de lingerie.
Acendi um cigarro, enquanto a arruma as coisas no lugar. Coloquei um som ao fundo e fui cozinhar. O prato da noite macarrão ao molho branco e para ficar melhor, vinho suave para relaxar. 

Mesa posta, pratos vermelhos sobre a mesa, uma garrafa de vinho pela metade, um cinzeiro vazio a enfeitar, uma luz que queimava lentamente a iluminar, talheres sobre postos sem ninguém ainda chegar.

A comida estava pronta sob a mesa, quentinha, dava até para ver a fumacinha. A garrafa de vinho vazia pela metade, o cinzeiro transbordava mais que cigarros, transbordavam saudades. Estava tudo pronto, só falta ele chegar.


Ele. 

Ele era a inspiração de tudo, a vontade de fazer acontecer.

A comida estava fria sob a mesa, o creme duro grudado no macarrão seco, à garrafa de vinho ao lado de outras no chão. O cinzeiro eu prefiro nem comentar. 

Não me lembro de mais nada.
Não lembro de ver ele.
Não lembro dele

Ele.

Autoria: Simone Cajá

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