quinta-feira, 31 de julho de 2014

Hum, legal.



Se tinha uma coisa que gostávamos de fazer quando chegávamos do trabalho era ficar sentados na sala falando. Falando sobre o dia, sobre a noite, sobre ontem e sobre hoje. Ele no mesmo lugar de sempre deitado no sofá de barriga para cima com as mãos do celular preso em um mundo de luz, cores, tecnologias e falsos amores. Eu no lugar de sempre no chão com a bunda no gelado com o cinzeiro do lado.  Ao fundo o som instrumental de um filme que tínhamos visto e que não saia da minha cabeça. Tudo era como era sempre eu falava e falava e falava muito e tudo que tinha era um: - “hum, legal”  Fica impressionada como era essa a única reação que tinha depois de vários assuntos contatos, podia ter contado que tinha ganhado na loteria, podia ter contato que tinha sido atropelada, acho que podia contar até que tinha morrido que a resposta seria: -“hum, legal.”.

Autoria: Simone Cajá

"Pode copiar, mas dê créditos por favor."

Nadar.



O que leva uma pessoa a nadar
Pode ser de dia ou a noite. 
No frio ou no calor. 
Pular naquela água mansa.
O vai e vem das ondas.
O frio do vento fora da água quente.
A solidão imersa no meio do movimento das correntes.
Você não precisa falar.
Não precisa provar.
Não precisa sentir.
Não precisa amar.
Só precisa nadar.
Nadar.
De um lado para o outro.
Sem ter lugar para chegar.
Sem ter metas para cumprir.
Sem ter ninguém há te esperar.
Sem ter ninguém para decepcionar.
Hun, pensando bem acho que não é uma má idéia.
Essa tal de natação. 
Esse momento de liberdade, sem amarras no coração.

Pensando bem, acho que vou começar a me libertar, quero dizer. NADAR. 

Autoria: Simone Cajá

"Pode copiar, mas dê créditos por favor."