domingo, 23 de agosto de 2015

Não sei se acredito mais no amor.


Eu não sou muito de falar, na verdade eu sou um pouco, mas sou muito mais de observar.  
Conheço pessoas que nem sabe que existo, sou intima de pessoas que mal falo um oi, apenas pelo fato de observar. Algumas pessoas diriam que gosto de cuidar da vida alheia, no meu ponto de vista não, gosto apenas de observar, não falo com ninguém, não comento, apenas escrevo. De forma leve e suave, sem dar nome aos bois.

O que mais gosto de observar são relacionamentos: sempre fotos tão lindas, escritas tão românticas, sempre algo de se invejar. Eu não posso muito reclamar vivo um relacionamento que talvez também seja de se invejar, claro que não é perfeito, mas é algo de se encantar. O problema que enfrento é de sempre observar e a partir dai idealizar, crio circunstâncias comigo mesmo e parâmetros que eu mesmo quero quebrar nada real tudo apenas na minha psique.
Eu vejo amigos que resolveram tentar, eu vejo em tão pouco tempo lindas declarações de se apaixonar, vejo fotos e fotos, e beijos e abraços e eu te amo. Vejo uma aliança, vejo as coisas acontecerem e todos dizer: nasceram um para o outro só pode ser o destino por isso toda a rapidez, toda certeza e confiança. 

Eu vejo sorrisos, casa junta, vejo um cachorro. Eu vejo o futuro esperado em quatro anos acontecendo em questão de meses. Eu vejo boate, cigarros e cervejas, novos amigos, novos costumes, a velha casa. Vejo um cara, novos abraços e novos beijos. O que foi que aconteceu? Todo mundo tem a chance de começar de novo, claro. Semanas se passaram e já vejo novos planos, novos panos, novas frases, menos poéticas, mas sempre profundas, vejo um eu te amo. 
Que lindo, o amor renasceu, é agora eu observo. Encontrou aquilo que faltava, o vazio que não completava tão bem o sorriso, agora é perfeito, agora é pra ser. Agora não vejo nada. Sumiu. O que foi que aconteceu? 

Eu vejo novo estilo, novo cabelo, de novo cigarros. Vejo uma reviravolta, coisas boas vão acontecer vejo muita coisa mudando em menos de apenas seis meses, mas o tempo não importa e sim a intensidade. Vejo a vontade de viver, vejo outro cara, pera, esse não é novo, talvez seja eu não sei, vejo corações, vejo um brilho no olhar, vejo frases apaixonadas e uma vergonha de se expressar, vejo um eu te amo. 

Será? Talvez, a intensidade, o estilo de vida, a beleza não sei. Depende o que se entende do que são possíveis as pessoas, ai as pessoas se perdem em meio a tantos vazios. Eu não sei se acredito em tudo que observo, mas quem sou eu para falar, apenas observo, apenas vejo.  

Autoria: Simone Cajá
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